CAFĂ: AROMA, SABOR E HISTĂRIAS EM UMA XĂCARA
Querido leitor.
HĂĄ aromas que parecem morar na memĂłria.
O cheiro do pĂŁo recĂ©m-saĂdo do forno, da terra depois da chuva, de um perfume conhecido... e, certamente, o cheiro do cafĂ© sendo preparado.
Talvez por isso o cafĂ© seja muito mais do que uma bebida. Ele acompanha conversas, encontros, manhĂŁs apressadas, tardes preguiçosas, leituras, pensamentos e atĂ© momentos de solidĂŁo. Uma xĂcara entre as mĂŁos pode representar uma pausa no dia — ou simplesmente aquele pequeno prazer que aprendemos a apreciar.
E hoje hĂĄ uma razĂŁo especial para falar sobre ele: no dia 1Âș de outubro Ă© celebrado o Dia Internacional do CafĂ©.
DO FRUTO Ă XĂCARA
Antes de chegar quente e perfumado à nossa mesa, o café percorre um longo caminho.
Tudo começa no cafeeiro e em seus frutos, que, depois de maduros, sĂŁo colhidos e processados. Os grĂŁos precisam ser separados do fruto e secos. Diferentes formas de processamento podem interferir nas caracterĂsticas que mais tarde perceberemos na bebida.
Depois vem a torra, uma etapa fascinante. Ă o calor que transforma os grĂŁos verdes e ajuda a desenvolver aquela complexidade de aromas e sabores que reconhecemos como cafĂ©. O grau da torra tambĂ©m interfere no resultado final: cafĂ©s diferentes, torras diferentes e mĂ©todos diferentes podem revelar experiĂȘncias completamente distintas dentro de uma mesma xĂcara.
ApĂłs a torra, o cafĂ© Ă© moĂdo. E entĂŁo chega o momento que conhecemos tĂŁo bem: a extração.
A ARTE DE EXTRAIR O CAFĂ
Extrair o cafĂ© significa fazer com que a ĂĄgua retire do pĂł as substĂąncias responsĂĄveis pelo sabor, aroma e caracterĂsticas da bebida.
E hĂĄ muitas maneiras de fazer isso.
No tradicional cafĂ© coado, a ĂĄgua atravessa lentamente o pĂł e o filtro. Na prensa francesa, o cafĂ© permanece em contato com a ĂĄgua antes de ser separado por uma tela. No expresso, ĂĄgua quente sob pressĂŁo atravessa rapidamente o cafĂ© finamente moĂdo, produzindo uma bebida intensa e aromĂĄtica.
HĂĄ ainda cafeteiras italianas, mĂ©todos de filtragem manual e tantas outras formas de preparo. A moagem do grĂŁo, a quantidade de cafĂ©, a qualidade, a temperatura da ĂĄgua e o tempo de contato entre ĂĄgua e pĂł podem modificar bastante aquilo que sentimos na xĂcara.
Preparar café, afinal, também pode ser uma arte.
E O CAFĂ FAZ BEM?
AlĂ©m do prazer proporcionado pelo aroma e pelo sabor, o cafĂ© contĂ©m cafeĂna e diversos compostos bioativos. A cafeĂna atua no sistema nervoso central e pode aumentar temporariamente o estado de alerta e a disposição.
Estudos cientĂficos tambĂ©m encontram associaçÔes entre o consumo habitual e moderado de cafĂ© e alguns resultados favorĂĄveis Ă saĂșde, inclusive em relação a determinadas condiçÔes metabĂłlicas, cardiovasculares e hepĂĄticas. Isso, porĂ©m, nĂŁo significa que o cafĂ© seja medicamento nem que esses benefĂcios estejam garantidos para todas as pessoas.
Cada organismo responde de uma maneira.
O excesso de cafeĂna pode provocar insĂŽnia, ansiedade, palpitaçÔes e outros desconfortos em pessoas mais sensĂveis. Por isso, como em tantas coisas da vida, equilĂbrio continua sendo uma boa medida.
CAFĂ TAMBĂM Ă AFETO
Mas talvez existam benefĂcios que nenhuma pesquisa precise explicar.
O café oferecido a uma visita.
A conversa que começa com: “Aceita um cafezinho?”
A xĂcara ao lado de um livro.
O café compartilhado com alguém de quem gostamos.
O cheiro que invade a cozinha pela manhã e anuncia que mais um dia começou.
Hå sabores que alimentam o corpo. Outros parecem alimentar também nossas lembranças.
E foi pensando justamente nessa mistura de sabor, cheiro, memória, desejo e encontro que o café apareceu em meus versos.
Porque algumas pessoas também despertam os sentidos.
Algumas tĂȘm aroma de lembrança, gosto de vontade e aquele estranho poder de permanecer em nĂłs...
Como um bom café.
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đSEU SABOR
VocĂȘ me apetece
Como o sabor do café
Como o aroma do pĂŁo
Como chocolate com pimenta
Bala de menta
Cheiro de chuva no verĂŁo
Como o encontro e a saudade.
Momentos e vontade
Ousadia e indecisĂŁo
VocĂȘ me apetece
Como o cheiro de flores,
De gente.
De amores.
De corpos suados e ardentes
Cheiro do amor inconsequente.
Cheiro de dança e de chão!
E quem sabe vocĂȘ
Com seu olhar safado
Em frente ao meu portĂŁo?
Com carinho,
Katia Gobbi

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