NOITE AO LUAR
Foi numa noite ao luar.
Uma brisa leve acariciou o rosto dela enquanto aguardava, ansiosa, na sacada, achando que, mais uma vez, permaneceria só.
O ciúme corroía o seu peito. Como queria dizer que não o queria!
Mas bateu uma vontade de ouvi-lo, senti-lo.
Bateu uma saudade louca dos beijos que trocaram e das loucuras que fizeram juntos.
Queria esquecê-lo.
Ao mesmo tempo, queria senti-lo junto a si e fazer tudo o que estivesse ao seu alcance para tê-lo consigo.
Respirou fundo ao sentir o ambiente envolvê-la; aspirou os diferentes cheiros que pairavam no ar. O cheiro fresco da natureza ao seu redor, o perfume doce e delicado das flores.
Lembrou-se do dia em que o esperou chegar.
Ouviu seus passos em direção ao apartamento, enquanto permanecia encostada, de costas, na porta trancada.
Ouviu batidas leves que fizeram seu corpo vibrar, enquanto ele esperava do lado de fora.
Sentiu a presença dele quando bateu outra vez, desta vez com mais força.
Ela quis muito abrir seu coração a ele, junto com aquela porta, mas não devia. As lágrimas rolaram pelo seu rosto, mas deixou-o ir. Queria que ficasse, que ouvisse o quanto seu coração batia no peito, sem ter certeza de que ainda havia tempo para os dois.
Deu-se conta de que não conseguiria resistir. Ele iria apoderar-se dela. E ela deixaria que ele se apoderasse de seu corpo, de sua alma, de seu coração. Sentiriam a vida correr pelos seus corpos, trocando momentos e juras de amor, mais uma vez juntos, derramando lágrimas num amanhã de sonhos em meio aos pesadelos.
E foi assim, sem controlar os sentimentos que lhe desordenavam a razão, que sentiu o cheiro familiar do perfume que conhecera na pele de uma única pessoa. Ela o reconheceu tão intimamente quanto conhecia a si mesma. E o aspirou desesperadamente, enquanto o aroma vinha em sua direção.
Lembrou-se do frasco que comprara para preencher as noites solitárias, quando tantas vezes se perguntara o que havia dado errado.
Mas, naquela noite, o perfume não vinha de suas lembranças.
Ele estava ali.
E foi numa noite ao luar, enquanto negava a si mesma a paixão que ainda podia sentir, que ela percebeu que, sem ele, não poderia viver.
Então, com todo o seu amor e irresistível insensatez, ele voltou.
E o que eles sentiram serviria para não deixar morrer o fogo que ainda ligava suas almas, alimentado por um único sentimento: aquele que invade os corações com um desejo ansioso de unir os corpos, as mentes e o amor, num mundo onde a fantasia reina por toda a eternidade...
Katia Gobbi

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